Vinhos fortificados: 6 rótulos para entender esse universo
Os vinhos fortificados são uma tradição que produz perfis de aroma e sabor únicos. E ocupam um lugar especial no coração do amante do vinho. Mas você sabe exatamente o que é um vinho desses, como é produzido e suas características? O especialista no tema e sócio fundador do grupo Vino!, Raphael Zanette, responde essas e outras questões.
O que são vinhos fortificados?

Vinhos fortificados são aqueles nos quais é adicionado um destilado, geralmente aguardente vínica, durante o processo de fermentação ou logo após. Essa adição eleva o teor alcoólico do vinho e modifica suas características de sabor e textura. “A fortificação ajuda a preservar o vinho, o que era essencial antigamente, quando o transporte marítimo era uma questão”, explica Raphael. A prática surgiu em regiões produtoras como Portugal e Espanha, mas hoje se expandiu globalmente.
A produção de vinhos fortificados é semelhante à vinificação tradicional, mas a adição de álcool define o caráter final do vinho. A aguardente vínica é adicionada em diferentes etapas da fermentação, influenciando o resultado. “Se a aguardente é adicionada no início da fermentação, ela interrompe o processo, resultando em vinhos mais doces, como o Porto. Se a adição é feita ao final, temos vinhos mais secos e robustos”, detalha Raphael.
Entre os vinhos fortificados mais conhecidos estão o Porto e o Madeira, ambos de Portugal, o Xerez da Espanha e o Marsala da Itália. Cada um tem um processo de produção específico e expressa um estilo regional único.
Tipos e suas características
Segundo Raphael, os vinhos fortificados são facilmente reconhecíveis por seu teor alcoólico elevado, que varia de 18% a 20%. No entanto, cada vinho fortificado tem sua própria identidade, com rótulos que indicam a categoria e o tempo de envelhecimento. “No Vinho do Porto, por exemplo, os rótulos indicam se é Ruby, Tawny, ou LBV, cada um representando uma forma de envelhecimento e perfil de sabor”, explica Raphael. No caso do Xerez, a classificação inclui termos como Fino, Amontillado e Pedro Ximénez, permitindo ao consumidor entender melhor o que esperar.
Vinho do Porto: Produzido na região do Douro, o Vinho do Porto é adocicado, encorpado e marcado por sabores de frutas secas e especiarias. Ele é classificado em tipos como Tawny e Ruby, dependendo do envelhecimento e do estilo.
Xerez (Sherry): Original da região de Jerez, na Espanha, o Xerez pode ser seco ou doce, com variações que vão do leve e refrescante, Fino ao intenso e robusto Oloroso. “É um vinho complexo e versátil, que combina bem com alimentos variados, do queijo ao presunto”, comenta Raphael.
Madeira: Originário da Ilha da Madeira, o vinho Madeira é famoso por sua resistência e durabilidade. Com sabores de nozes e caramelos, é produzido através de um processo de aquecimento chamado estufagem, que contribui para o seu perfil robusto e característico.
Marsala: Esse vinho fortificado da Sicília, na Itália, pode variar entre seco e doce, com notas de figo, amêndoa e caramelo. Marsala é frequentemente utilizado na culinária, mas também brilha como vinho de sobremesa.
Armazenamento e envelhecimento

Uma das características mais fascinantes dos vinhos fortificados é sua capacidade de envelhecimento. “O teor alcoólico elevado e o processo de fortificação permitem que esses vinhos durem décadas”, destaca Raphael. “Mesmo depois de abertos, vinhos como o Porto e o Madeira mantêm suas qualidades por meses ou até anos, algo incomum em vinhos de mesa tradicionais.”
Raphael ressalta que, em geral, o armazenamento deve ser feito em locais frescos e longe da luz direta. Alguns vinhos, como o Vinho do Porto Vintage, melhoram com o envelhecimento na garrafa, enquanto outros, como o Xerez, são ideais para consumo após engarrafados.
Harmonização
Os vinhos fortificados são extremamente versáteis na harmonização, e Raphael aponta serem excelentes escolhas para acompanhar pratos complexos ou sobremesas. “O Porto Tawny combina com sobremesas de chocolate ou com queijos azuis, enquanto o Xerez seco é excelente com tapas e frutos-do-mar”, recomenda. Já o Madeira e o Marsala são ideais para harmonizar com pratos de sabores fortes, como carnes assadas e pratos italianos com molhos ricos.
Além disso, vinhos como o Marsala e o Madeira são frequentemente usados na culinária, devido à sua intensidade e perfil aromático, enriquecendo pratos com sabores profundos.
6 rótulos e sugestões para iniciar
O mercado de vinhos fortificados está em expansão, e muitos produtores estão investindo em variedades inovadoras para conquistar novos consumidores. “Hoje vemos desde rótulos tradicionais a interpretações modernas de vinhos fortificados, e essa diversidade só agrega ao leque de experiências que o vinho pode proporcionar”, conclui Raphael.
Jerez Barbadillo Fino Sherry: Um sherry fino seco e pálido, com aroma fresco e levedado, corpo leve e acidez viva.
Jerez Barbadillo Oloroso Sherry: Um sherry oloroso seco, envelhecido oxidativamente, apresentando sabores de melaço, caramelo e nozes torradas, com final marcante.
Jerez Barbadillo Pale Cream Sherry: Uma Manzanilla jovem, envelhecida por três anos em carvalho americano, misturada com vinho Moscatel doce, resultando em um sherry suave e adocicado.
Porto Tecedeira Tawny Reserve: Um vinho do Porto Tawny Reserva, envelhecido em barris de carvalho, exibindo notas de frutas secas, nozes e caramelo, com final suave e equilibrado.
Porto Royal Oporto Ruby: Um vinho do Porto Ruby jovem, de cor rubi intensa, com sabores de frutas vermelhas maduras e final doce e frutado.
Licor de Tannat Vinha Eden: Um licor de vinho produzido a partir da uva Tannat, conhecido por seu sabor encorpado e notas de frutas escuras, típico da região de Vinha Eden.